8.2.17

10

Hazel se virou para trás com rapidez e se deparou com um homem muito bonito. Era alto e tinha a pele dourada, como se tivesse pegado muito sol, talvez ele tivesse mesmo. Os cabelos eram curtos porém desgrenhados e eram um tom mais escuro do louro, tinha uma barba por fazer e usava uma calça jeans surrada juntamente com uma regata, que também era surrada.
E apesar de ter advertido a menina a poucos segundos, ele não tinha uma expressão séria. Mas Hazel tinha. E ele não se incomodou com isso, na verdade, pareceu gostar. Deu um risinho sínico, como Sebastian costumava fazer, e Hazel foi atingida por aquela tipica sensação: Medo. Medo de ter acontecido algo a Sebastian.
Sentir o amor nem sempre era fácil, agora ela entendia.
E então lembrou-se que estava em uma situação embaraçosa. Tratou de pensar em uma resposta para dar ao homem a sua frente, que agora além do sorriso torto tinha também as sobrancelhas erguidas, como quem dissesse " E então, queridinha?".
_ Procurando água.
Respondeu como se fosse algo obvio, embora soubesse que não fosse. O homem caminhou em sua direção com o mesmo sorriso de antes. Hazel não queria admitir, mas ele era extremamente bonito. Aquele tipo de beleza que te faz perder o ar.
_ Você sabe que não me engana._ Ele cruzou os braços e encarou o espaço entre os olhos de Hazel, onde ficaria o terceiro olho. Automaticamente, sem saber porque, a garota perdeu totalmente a sua postura alto-confiante e se sentiu exposta._ Sei quando uma pessoa mente, e você loirinha, mente muito mal.
Hazel não o respondeu. Era óbvio que estava mentindo, mas sempre achou que mentia muito bem. Talvez estivesse enganada a respeito, ou esse homem era definitivamente um bom mentiroso, porque apenas um  conhece outro.
_ Quando mentir não deve tocar os cabelos, ou desviar o olhar! Muito menos fazer esse movimento engraçado com os pés, que demonstra insegurança. Você tem muito o que aprender, sabe?_ Ele desviou o olhar de Hazel para olhar o céu enquanto esticava os braços, espreguiçando-se. Hazel se sentiu segura de novo. Que tipo de homem era aquele? E quando voltou a falar já a encarava de novo, e naquele mesmo ponto fixo._ Pode me falar o que estava fazendo. E se tiver com medo lhe asseguro de que nada vai acontecer a você, afinal, sou só o cara que cuida das plantas. Por falar nisso, me chamo Henry.
_ Você é bem confiante para ser só o cara que cuida das plantas, Henry.
Ele mexeu os ombros, como quem estivesse dizendo " tanto faz", e já não mantinha o olhar fixo entre os olhos de Hazel. Henry já não queria a intimidar, embora adorasse fazer aquilo. Leitura corporal era algo que ele adorava, e se aquilo fosse algum tipo de dom, ele adoraria aprimorar.
_ E você ainda não me disse o que faz aqui... Nem o seu nome._ Ele sorriu torto, dessa vez algo diferente no sorriso, Hazel percebera._  Aliás, você tem cara de Amélia.
Hazel quase riu da mesma forma que ele, mas se manteve séria. Seu objetivo ali não era trocar conversa com um jardineiro bonitão chamado Henry. Na verdade, ela nem se lembrava de buscar água, estava concentrada em como fugiria.
_ Tudo bem, eu estava analisando a escada._ Dessa vez ela não mentiu, mas também não revelou toda a verdade._ Eu me chamo Hazel.
_ Veja só Hazel, se está pensando em fugir..._ Ele fez uma pausa dramática e Hazel chegou a conclusão de que ele decifra bem as coisas. Aquele cara teria uma ótima vida, se não fosse mais um escravo._ É bom que me leve junto! Você sabe, só por precauções, ou acha que conseguiria  fugir sozinha?
Hazel pareceu desconfortável, e olhou para os pés, onde sem perceber fez aquele mesmo movimento anterior. Henry riu, dessa vez mostrando todos os dentes, tinha uma expressão engraçada.
_ Você não está sozinha!_ Chutou, mesmo sabendo que sim, ela não estaria sozinha.
_ Isso não é sobre você, não se meta!
Ela tinha se entregado, mesmo que não percebesse. Esse Henry a irritava.
_ Então, de fato, você vai fugir. E tem alguém que irá com você. Um garoto?_ Hazel não respondeu e isso foi o suficiente para Henry entender tudo. Ele era definitivamente um bom entendedor, ela nunca tinha conhecido alguém como ele._ Que fofo. Mas temo acabar com seu plano caso eu não possa ir também.
_ Eu não fugir, Henry!_ mentiu.
_ Tanto faz, estarei te esperando assim que anoitecer. Quando sairmos, você encontra o seu namorado e eu... Bom, eu vou para a floresta das fadas.
_ O que vai fazer lá?
_ Isso, Hazel, não é sobre você! Não se meta.
Ele repetiu as mesmas palavras da garota e riu torto. Andou pelo jardim e Hazel permaneceu parada. Querendo ou não, precisava admitir que gostara daquele homem, uma peça rara.

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