Hazel
se virou para trás com rapidez e se deparou com um homem muito bonito. Era alto
e tinha a pele dourada, como se tivesse pegado muito sol, talvez ele tivesse
mesmo. Os cabelos eram curtos porém desgrenhados e eram um tom mais escuro do
louro, tinha uma barba por fazer e usava uma calça jeans surrada juntamente com
uma regata, que também era surrada.
E
apesar de ter advertido a menina a poucos segundos, ele não tinha uma expressão
séria. Mas Hazel tinha. E ele não se incomodou com isso, na verdade, pareceu
gostar. Deu um risinho sínico, como Sebastian costumava fazer, e Hazel foi
atingida por aquela tipica sensação: Medo. Medo de ter acontecido algo a
Sebastian.
Sentir
o amor nem sempre era fácil, agora ela entendia.
E
então lembrou-se que estava em uma situação embaraçosa. Tratou de pensar em uma
resposta para dar ao homem a sua frente, que agora além do sorriso torto tinha
também as sobrancelhas erguidas, como quem dissesse " E então,
queridinha?".
_
Procurando água.
Respondeu
como se fosse algo obvio, embora soubesse que não fosse. O homem caminhou em
sua direção com o mesmo sorriso de antes. Hazel não queria admitir, mas ele era
extremamente bonito. Aquele tipo de beleza que te faz perder o ar.
_
Você sabe que não me engana._ Ele cruzou os braços e encarou o espaço entre os
olhos de Hazel, onde ficaria o terceiro olho. Automaticamente, sem saber
porque, a garota perdeu totalmente a sua postura alto-confiante e se sentiu
exposta._ Sei quando uma pessoa mente, e você loirinha, mente muito mal.
Hazel
não o respondeu. Era óbvio que estava mentindo, mas sempre achou que mentia
muito bem. Talvez estivesse enganada a respeito, ou esse homem era
definitivamente um bom mentiroso, porque apenas um conhece outro.
_
Quando mentir não deve tocar os cabelos, ou desviar o olhar! Muito menos fazer
esse movimento engraçado com os pés, que demonstra insegurança. Você tem muito
o que aprender, sabe?_ Ele desviou o olhar de Hazel para olhar o céu enquanto
esticava os braços, espreguiçando-se. Hazel se sentiu segura de novo. Que tipo
de homem era aquele? E quando voltou a falar já a encarava de novo, e naquele
mesmo ponto fixo._ Pode me falar o que estava fazendo. E se tiver com medo lhe
asseguro de que nada vai acontecer a você, afinal, sou só o cara que cuida das
plantas. Por falar nisso, me chamo Henry.
_
Você é bem confiante para ser só o cara que cuida das plantas, Henry.
Ele
mexeu os ombros, como quem estivesse dizendo " tanto faz", e já não
mantinha o olhar fixo entre os olhos de Hazel. Henry já não queria a intimidar,
embora adorasse fazer aquilo. Leitura corporal era algo que ele adorava, e se
aquilo fosse algum tipo de dom, ele adoraria aprimorar.
_
E você ainda não me disse o que faz aqui... Nem o seu nome._ Ele sorriu torto,
dessa vez algo diferente no sorriso, Hazel percebera._ Aliás, você tem cara de Amélia.
Hazel
quase riu da mesma forma que ele, mas se manteve séria. Seu objetivo ali não
era trocar conversa com um jardineiro bonitão chamado Henry. Na verdade, ela
nem se lembrava de buscar água, estava concentrada em como fugiria.
_
Tudo bem, eu estava analisando a escada._ Dessa vez ela não mentiu, mas também
não revelou toda a verdade._ Eu me chamo Hazel.
_
Veja só Hazel, se está pensando em fugir..._ Ele fez uma pausa dramática e
Hazel chegou a conclusão de que ele decifra bem as coisas. Aquele cara teria
uma ótima vida, se não fosse mais um escravo._ É bom que me leve junto! Você
sabe, só por precauções, ou acha que conseguiria fugir sozinha?
Hazel
pareceu desconfortável, e olhou para os pés, onde sem perceber fez aquele mesmo
movimento anterior. Henry riu, dessa vez mostrando todos os dentes, tinha uma
expressão engraçada.
_
Você não está sozinha!_ Chutou, mesmo sabendo que sim, ela não estaria sozinha.
_
Isso não é sobre você, não se meta!
Ela
tinha se entregado, mesmo que não percebesse. Esse Henry a irritava.
_
Então, de fato, você vai fugir. E tem alguém que irá com você. Um garoto?_
Hazel não respondeu e isso foi o suficiente para Henry entender tudo. Ele era
definitivamente um bom entendedor, ela nunca tinha conhecido alguém como ele._
Que fofo. Mas temo acabar com seu plano caso eu não possa ir também.
_
Eu não fugir, Henry!_ mentiu.
_
Tanto faz, estarei te esperando assim que anoitecer. Quando sairmos, você
encontra o seu namorado e eu... Bom, eu vou para a floresta das fadas.
_
O que vai fazer lá?
_
Isso, Hazel, não é sobre você! Não se meta.
Ele
repetiu as mesmas palavras da garota e riu torto. Andou pelo jardim e Hazel
permaneceu parada. Querendo ou não, precisava admitir que gostara daquele
homem, uma peça rara.
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