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Hazel, a quanto tempo esta aqui?
Sebastian
perguntou uma vez para a garota, de forma totalmente comum, como se estivessem
falando sobre o que comeram no jantar da noite passada.
Hazel
relutou um pouco antes de responder. Tentou fazer uma conta rapida em sua
cabeça, mas não fazia ideia de quantas noites passara ali dentro.
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Não sei...
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Eu não sei você, mas ficar preso me dá vontade de morrer!
Hazel
só não riu do garoto pois sabia como eram os três primeiros dias.
Eram
tão sombrios quanto seu pior pesadelo, eram tão obscuros que se perder na
floresta a noite seria melhor, eram tão solitários que alguns ficavam loucos
antes mesmo de cumprir sua “missão”: Morrer.
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Nós podíamos fugir, Hazel!
Hazel
já pensara assim, no inicio também. Nos dias em que estava fraca de mais para
abrir os olhos pensava em mil e uma
maneiras de fugir, mas elas sempre davam em um mesmo lugar: Sua dolorosa e fria
morte.
Sebastian
esperou por uma resposta, mas a mesma não veio. Hoje Hazel não estava com muita
vontade de conversar, ele percebera, mas continuou tentando mesmo assim.
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É sério, Hazel! Estou falando sério!
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E como iremos fugir, hein? Hein?
A
pergunta da menina pegara o menino de surpresa. Ele tinha pensado em fugir, mas
de qual maneira?
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Que tal usarmos a sua faca?
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Pra quê? Matar a escrava que traz a comida?
Sebastian
não conseguiria matar uma pessoa sem defesa só para se beneficiar, mesmo que
isso o levasse a ter sua queria liberdade novamente.Sabia que a vida não seria
como quando fora aprisionado: A moça que seu pai estava arranjando certamente
já deve estar procurando outro garoto, e era melhor assim. Ele não teria amor
para dar a sua companheira, e certamente ela sentiria receio do mesmo, afinal,
a sua antiga prometida matou-se.
Sebastian
era um garoto de má sorte.
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As vezes acho que você não quer sair.
Formou-se
outro silencio na sala. Aquilo já estava ficando rotineiro! Um dos dois sempre
encontravam um jeito de fazer a conversa chegar a um ponto constrangedor. Mas
só percebiam tarde de mais.
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Sebastian, você sabe que os guardas monitoram a entrada e saída das escravas,
não sabe?
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Sim, eu sei.
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Então digamos que nós a deixemos presa!
Como passaríamos pelos guardas?
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Como eu disse antes, você tem uma faca.
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Força brutal? Sério?
Sebastian
podia jurar que sua parceira estava arqueando uma de suas sobrancelhas, como
sempre fazia na escola quando usava seu tom irônico. Mas assim como sabia disso, sabia que aquela
ideia fora realmente estúpida, como venceria guardas com força brutal?
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Tudo bem, podemos pensar em algo.
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Acredite, Sebastian, não tem maneiras de fugir desse lugar.
Para
Hazel o assunto acabaria ali, e pensou que para Sebastian também quando mesmo
não disse nada por um bom tempo. Mas ele nunca desistia.
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Lembra sobre o que conversamos ontem? Sobre lutar pela nossa liberdade?
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Sim, eu lembro.
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Pois bem, eu falei sério.
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