8.2.17

4

_ Hazel, a quanto tempo esta aqui?
Sebastian perguntou uma vez para a garota, de forma totalmente comum, como se estivessem falando sobre o que comeram no jantar da noite passada.
Hazel relutou um pouco antes de responder. Tentou fazer uma conta rapida em sua cabeça, mas não fazia ideia de quantas noites passara ali dentro.
_ Não sei...
_ Eu não sei você, mas ficar preso me dá vontade de morrer!
Hazel só não riu do garoto pois sabia como eram os três primeiros dias.
Eram tão sombrios quanto seu pior pesadelo, eram tão obscuros que se perder na floresta a noite seria melhor, eram tão solitários que alguns ficavam loucos antes mesmo de cumprir sua “missão”: Morrer.
_ Nós podíamos fugir, Hazel!
Hazel já pensara assim, no inicio também. Nos dias em que estava fraca de mais para abrir  os olhos pensava em mil e uma maneiras de fugir, mas elas sempre davam em um mesmo lugar: Sua dolorosa e fria morte.
Sebastian esperou por uma resposta, mas a mesma não veio. Hoje Hazel não estava com muita vontade de conversar, ele percebera, mas continuou tentando mesmo assim.
_ É sério, Hazel! Estou falando sério!
_ E como iremos fugir, hein? Hein?
A pergunta da menina pegara o menino de surpresa. Ele tinha pensado em fugir, mas de qual maneira?
_ Que tal usarmos a sua faca?
_ Pra quê? Matar a escrava que traz a comida?
Sebastian não conseguiria matar uma pessoa sem defesa só para se beneficiar, mesmo que isso o levasse a ter sua queria liberdade novamente.Sabia que a vida não seria como quando fora aprisionado: A moça que seu pai estava arranjando certamente já deve estar procurando outro garoto, e era melhor assim. Ele não teria amor para dar a sua companheira, e certamente ela sentiria receio do mesmo, afinal, a sua antiga prometida matou-se.
Sebastian era um garoto de má sorte.
_ As vezes acho que você não quer sair.
Formou-se outro silencio na sala. Aquilo já estava ficando rotineiro! Um dos dois sempre encontravam um jeito de fazer a conversa chegar a um ponto constrangedor. Mas só percebiam tarde de mais.
_ Sebastian, você sabe que os guardas monitoram a entrada e saída das escravas, não sabe?
_ Sim, eu sei.
_ Então digamos que  nós a deixemos presa! Como passaríamos pelos guardas?
_ Como eu disse antes, você tem uma faca.
_ Força brutal? Sério?
Sebastian podia jurar que sua parceira estava arqueando uma de suas sobrancelhas, como sempre fazia na escola quando usava seu tom irônico.  Mas assim como sabia disso, sabia que aquela ideia fora realmente estúpida, como venceria guardas com força brutal?
_ Tudo bem, podemos pensar em algo.
_ Acredite, Sebastian, não tem maneiras de fugir desse lugar.
Para Hazel o assunto acabaria ali, e pensou que para Sebastian também quando mesmo não disse nada por um bom tempo. Mas ele nunca desistia.
_ Lembra sobre o que conversamos ontem? Sobre lutar pela nossa liberdade?
_ Sim, eu lembro.

_ Pois bem, eu falei sério.

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