8.2.17

12

Hazel esperou um plano mais inteligente da parte de Henry. Mas o menino a puxou até os grandes portões negros do castelo. Que tipo de problema aquele homem tinha? É claro que ele era indecifrável  mas para Hazel, isso já era de mais.
Quando chegaram em frente ao portão tiveram a visão de dois guardas. Eles tinham uma armadura diferente, essa era negra e tinha um ar mais assustador, usavam não apenas um chicote  mas também uma espada. Hazel os achou assustador, mas Henry os cumprimentou por nome.
Quem era aquele garoto?
_ Você sabe, preciso pegar umas cargas para o jardim na floresta das fadas. Sou o único que consegue arrancar alguma coisa daquelas pestinhas.
Um dos guardas olhou para Hazel, talvez desconfiado, mas tudo que Hazel sentiu foi um frio em sua espinha. Era o medo ou um mau-pressentimento? Achava que eram os dois. E isso é uma mistura perigosa.
_ Porque a mocinha vai junto?
Henry olhou para trás, como se não lembrasse que Hazel estava bem ali. Mexeu os ombros como quem diz “ tanto faz” e virou-se para os guardas novamente. Ele era um bom ator.
_ O que? A Amélia? Ela é minha irmã, seus idiotas! Não a estão reconhecendo? _ O guarda assentiu, confirmando duas coisas: que não iria fazer mais perguntas, e  que não a tinha reconhecido._ Vai abrir os portões ou não?
_ Ela cresceu._ O outro guarda disse encarando Hazel, mas tudo  que ela via era um elmo escuro mantendo contato visual. Teve uma sensação ruim por um tempo._ Quando a vi pela ultima vez era bem pequena.
Henry deu um sorriso fraco, um pouco melancólico enquanto via os portões sendo abertos. Hazel tinha interpretado aquilo como uma coisa ruim. Não o fato de Henry ter uma irmã, mas o sorriso tristonho do rapaz. Mas esperou até que não pudessem mais serem vistos, ou ouvidos para perguntar.
_ Quem é Amélia?
_ Minha irmã._ Ele foi curto, um pouco grosso até._ Por um momento achei que eles não engoliriam essa.
_ Porque?
_ Ela morreu a um tempo atrás, quando eu tinha dez e ela sete._ Hazel podia jurar que sua voz estava mudando, ficando falha, mas ele rapidamente a escondeu._ Você me lembra ela, sabe? A mesma facilidade em se irritar, os mesmos olhos, e a mesma cor de cabelo. Por isso te chamo de Amélia._ Ele riu fraco._ Não queria que soubesse disso, mas você ia acabar descobrindo de qualquer maneira. 
_ E como eles não sabem que ela morreu?_ Hazel poderia dar seus pêsames ou comentar algo, mas tudo o que perguntou foi isso.
_ Eles nunca souberam da morte dela. Acho que ninguém nunca soube. Nós morávamos aqui quando eramos mais novos, quando eu tinha sete e ela quatro. Nós eramos amigos daqueles guardas já naquela época, mas um ano depois nos mudamos para Ecaep, para morar com a vó. Um dia, em uma tempestade forte ela simplesmente se jogou no mar, gritou algo como “ Elas querem brincar!” e simplesmente se foi.  Eu tentei salva-la, mas não pude, não consegui._ Ele não olhou para Hazel por nenhum momento, mas ela podia ver lagrimas brotando em seus olhos. Aquela era a primeira vez que o via impotente._ Eu voltei para cá a algum tempo, eles me ajudaram com o emprego, mas jamais contei sobre ela.
Ele parou de andar e olhou para cima, numa tentativa falha de conter as lagrimas. Hazel quis chorar por vê-lo tão triste assim, mas tudo o que fez  foi abraça-lo forte. Como esperado, não tivera o abraço retribuído  mas não o soltou.
_ Sinto muito.
Ela sussurrou no ouvido do rapaz, que agora deixava as lagrimas caírem em seu rosto, embora não estivesse mexendo os ombros com frequência ou fazendo algum barulho muito alto.
Então ele retribuiu o abraço, a apertando.

•••

Quando as pessoas ficaram de cara com o Juliana e Sebastian, ele gelou. Juliana parecia mais tranquila, embora Sebastian soubesse que a morena estava bastante nervosa.
Os três homens pararam e o local se iluminou por suas tochas. Eles não usavam elmo, assim como Juliana. E pareceram reconhece-la.
_ Julie, oi._ Sebastian conheceu aquela voz de algum lugar. E quando lembrou deu um passo pra frente: Era o líder deles._ O que faz com esse prisioneiro? Queria suprir as necessidades? _ Os homens que o acompanhava riram, embora não tivesse graça_ Temos muitos caras que querem te foder, porque pegar um prisioneiro imundo?
Juliana fechou o punho, estressada. Mas entrou no jogo do seu superior.
_ Eu me sujaria se deixasse algum de vocês encostar em mim._ Eles riram, e novamente,  o superior se pronunciou.
_ Porque deixou que o Henry a tocasse, então?
A voz dele saiu em um tom desafiador. Juliana quis bate-lo com o chicote, mas desistiu da ideia rapidamente. Sebastian observava tudo, sem nem respirar.
_ Henry não me tocou, seu estupido._ Ela cuspiu as palavras, com raiva._ Ele é apenas um amigo, um grande amigo._Ela enfatizou a palavra “amigo”, para deixar bem claro que falava a verdade. Mas só ganhou mais risadas_ Eu preciso ir._ E se dirigindo a Sebastian falou:_ Venha, garoto.
Iam avançar quando os guardas os barraram. O superior segurou Juliana, enquanto os outros dois seguravam Sebastian. Juliana se debateu, e tentou chuta-lo, mas ele era mais forte. Sebastian não tentou nada.
_ Onde pensa que vai?_ Ele riu irônico_ Já disse que você tem muitos guardas que supririam suas necessidades. E agora, você tem três.
_ Me solta!_ Ela gritou, ainda se debatendo.  Sebastian levou um minuto para entender o que iria acontecer, e fez esforço para soltar-se também._ Eu mandei me soltar, Adam! Me solta!
Pela primeira vez Sebastian viu Juliana Morris assustada. E se aquilo estava  acontecendo era culpa dele.
Com uma força que não sabia que tinha soltou-se dos dois guardas e esmurrou a face de um por um, eles caíram no chão. Sem o elmo, Sebastian tinha suas vantagens. Correu em direção do Adam, e chutou-o, mas ele não caiu. Juliana gritava cada vez mais alto, desesperada.
Adam o chutou de volta. Sebastian voou longe, batendo a cabeça na parede, essa que começou doer, mas ele apenas levantou indo na direção de uma das tochas caídas no chão, ainda acesas.
Quando encostou no homem de novo, ele estava em cima de Juliana. Que gritava e se debatia cada vez mais, Sebastian reconheceu o medo em seus olhos. Adam beijava sua boca de uma forma nojenta, a mulher mordeu seus lábios. Mas ele não saiu de cima dela.
Por ato involuntário Sebastian jogou a tocha nos cabelos do homem. Agora ele tinha caído,  e gritava. Os cabelos em chamas.
Ajudou  Juliana a levantar. Não se sentiu mal por ter deixado Adam pegando fogo para trás, na verdade, tinha se sentido muito bem por ter salvado a mulher de alguém como ele.

Então eles correram, lado a lado na escuridão.

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