Hazel
esperou um plano mais inteligente da parte de Henry. Mas o menino a puxou até
os grandes portões negros do castelo. Que tipo de problema aquele homem tinha?
É claro que ele era indecifrável mas
para Hazel, isso já era de mais.
Quando
chegaram em frente ao portão tiveram a visão de dois guardas. Eles tinham uma
armadura diferente, essa era negra e tinha um ar mais assustador, usavam não
apenas um chicote mas também uma espada.
Hazel os achou assustador, mas Henry os cumprimentou por nome.
Quem
era aquele garoto?
_
Você sabe, preciso pegar umas cargas para o jardim na floresta das fadas. Sou o
único que consegue arrancar alguma coisa daquelas pestinhas.
Um
dos guardas olhou para Hazel, talvez desconfiado, mas tudo que Hazel sentiu foi
um frio em sua espinha. Era o medo ou um mau-pressentimento? Achava que eram os
dois. E isso é uma mistura perigosa.
_
Porque a mocinha vai junto?
Henry
olhou para trás, como se não lembrasse que Hazel estava bem ali. Mexeu os
ombros como quem diz “ tanto faz” e virou-se para os guardas novamente. Ele era
um bom ator.
_
O que? A Amélia? Ela é minha irmã, seus idiotas! Não a estão reconhecendo? _ O
guarda assentiu, confirmando duas coisas: que não iria fazer mais perguntas,
e que não a tinha reconhecido._ Vai
abrir os portões ou não?
_
Ela cresceu._ O outro guarda disse encarando Hazel, mas tudo que ela via era um elmo escuro mantendo
contato visual. Teve uma sensação ruim por um tempo._ Quando a vi pela ultima
vez era bem pequena.
Henry
deu um sorriso fraco, um pouco melancólico enquanto via os portões sendo
abertos. Hazel tinha interpretado aquilo como uma coisa ruim. Não o fato de
Henry ter uma irmã, mas o sorriso tristonho do rapaz. Mas esperou até que não
pudessem mais serem vistos, ou ouvidos para perguntar.
_
Quem é Amélia?
_
Minha irmã._ Ele foi curto, um pouco grosso até._ Por um momento achei que eles
não engoliriam essa.
_
Porque?
_
Ela morreu a um tempo atrás, quando eu tinha dez e ela sete._ Hazel podia jurar
que sua voz estava mudando, ficando falha, mas ele rapidamente a escondeu._
Você me lembra ela, sabe? A mesma facilidade em se irritar, os mesmos olhos, e
a mesma cor de cabelo. Por isso te chamo de Amélia._ Ele riu fraco._ Não queria
que soubesse disso, mas você ia acabar descobrindo de qualquer maneira.
_
E como eles não sabem que ela morreu?_ Hazel poderia dar seus pêsames ou
comentar algo, mas tudo o que perguntou foi isso.
_
Eles nunca souberam da morte dela. Acho que ninguém nunca soube. Nós morávamos
aqui quando eramos mais novos, quando eu tinha sete e ela quatro. Nós eramos
amigos daqueles guardas já naquela época, mas um ano depois nos mudamos para
Ecaep, para morar com a vó. Um dia, em uma tempestade forte ela simplesmente se
jogou no mar, gritou algo como “ Elas querem brincar!” e simplesmente se
foi. Eu tentei salva-la, mas não pude,
não consegui._ Ele não olhou para Hazel por nenhum momento, mas ela podia ver
lagrimas brotando em seus olhos. Aquela era a primeira vez que o via
impotente._ Eu voltei para cá a algum tempo, eles me ajudaram com o emprego,
mas jamais contei sobre ela.
Ele
parou de andar e olhou para cima, numa tentativa falha de conter as lagrimas.
Hazel quis chorar por vê-lo tão triste assim, mas tudo o que fez foi abraça-lo forte. Como esperado, não
tivera o abraço retribuído mas não o
soltou.
_
Sinto muito.
Ela
sussurrou no ouvido do rapaz, que agora deixava as lagrimas caírem em seu
rosto, embora não estivesse mexendo os ombros com frequência ou fazendo algum
barulho muito alto.
Então
ele retribuiu o abraço, a apertando.
•••
Quando
as pessoas ficaram de cara com o Juliana e Sebastian, ele gelou. Juliana
parecia mais tranquila, embora Sebastian soubesse que a morena estava bastante
nervosa.
Os
três homens pararam e o local se iluminou por suas tochas. Eles não usavam
elmo, assim como Juliana. E pareceram reconhece-la.
_
Julie, oi._ Sebastian conheceu aquela voz de algum lugar. E quando lembrou deu
um passo pra frente: Era o líder deles._ O que faz com esse prisioneiro? Queria
suprir as necessidades? _ Os homens que o acompanhava riram, embora não tivesse
graça_ Temos muitos caras que querem te foder, porque pegar um prisioneiro
imundo?
Juliana
fechou o punho, estressada. Mas entrou no jogo do seu superior.
_
Eu me sujaria se deixasse algum de vocês encostar em mim._ Eles riram, e
novamente, o superior se pronunciou.
_
Porque deixou que o Henry a tocasse, então?
A
voz dele saiu em um tom desafiador. Juliana quis bate-lo com o chicote, mas
desistiu da ideia rapidamente. Sebastian observava tudo, sem nem respirar.
_
Henry não me tocou, seu estupido._ Ela cuspiu as palavras, com raiva._ Ele é
apenas um amigo, um grande amigo._Ela enfatizou a palavra “amigo”, para deixar
bem claro que falava a verdade. Mas só ganhou mais risadas_ Eu preciso ir._ E
se dirigindo a Sebastian falou:_ Venha, garoto.
Iam
avançar quando os guardas os barraram. O superior segurou Juliana, enquanto os
outros dois seguravam Sebastian. Juliana se debateu, e tentou chuta-lo, mas ele
era mais forte. Sebastian não tentou nada.
_
Onde pensa que vai?_ Ele riu irônico_ Já disse que você tem muitos guardas que
supririam suas necessidades. E agora, você tem três.
_
Me solta!_ Ela gritou, ainda se debatendo.
Sebastian levou um minuto para entender o que iria acontecer, e fez
esforço para soltar-se também._ Eu mandei me soltar, Adam! Me solta!
Pela
primeira vez Sebastian viu Juliana Morris assustada. E se aquilo estava acontecendo era culpa dele.
Com
uma força que não sabia que tinha soltou-se dos dois guardas e esmurrou a face
de um por um, eles caíram no chão. Sem o elmo, Sebastian tinha suas vantagens.
Correu em direção do Adam, e chutou-o, mas ele não caiu. Juliana gritava cada
vez mais alto, desesperada.
Adam
o chutou de volta. Sebastian voou longe, batendo a cabeça na parede, essa que
começou doer, mas ele apenas levantou indo na direção de uma das tochas caídas
no chão, ainda acesas.
Quando
encostou no homem de novo, ele estava em cima de Juliana. Que gritava e se
debatia cada vez mais, Sebastian reconheceu o medo em seus olhos. Adam beijava
sua boca de uma forma nojenta, a mulher mordeu seus lábios. Mas ele não saiu de
cima dela.
Por
ato involuntário Sebastian jogou a tocha nos cabelos do homem. Agora ele tinha
caído, e gritava. Os cabelos em chamas.
Ajudou Juliana a levantar. Não se sentiu mal por ter
deixado Adam pegando fogo para trás, na verdade, tinha se sentido muito bem por
ter salvado a mulher de alguém como ele.
Então
eles correram, lado a lado na escuridão.
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