Hazel estava apavorada. Acordara com sons altos de gritos e rugidos,
isso só a levara a uma coisa: Mais uma morte provocada pelos famosos dragões da
rainha.
As vezes, a loura pegava-se pensando o que se passava na cabeça da
mulher, chamada por todos de “ Vossa Majestade”. Acreditava que era um
verdadeiro labirinto macabro, cheio de interesse e ideias horríveis. Achava que
a rainha era jovem de idade e idosa de espirito, uma tipica bruxa má sem
sentimentos, que vivia feliz observando o sofrimento de seus iguais. Nojo.
Hazel sentia nojo de sua majestade, um pecado que ela ainda irá pagar, sempre
pagamos.
Encostado em um dos cantos da pequena sala, coberto pela escuridão,
Sebastian estava sentado ao lado de Hazel. Estava mais quieto do que nunca,
como sempre ficava ao ouvir a morte das pobres donzelas.
Hazel sabia muito pouco sobre ele e mesmo assim não tentara descobrir
mais do que já sabia. A vida dele parecia perturbadora de mais, não que a dela
mesma não fosse, mas era melhor não fazer parte disso, embora estava
consciente: já fazia.
O que estavam vivendo agora provavelmente seria o ultimo capítulo de
suas vidas. Talvez Sebastian tivesse sorte e conseguisse sair dali vivo, mas
Hazel... Pobre Hazel, está destinada a uma morte tão sombria que até os piores
seres teriam pena.
Quando os gritos pararam Sebastian soltou um suspiro. Hazel só não soube
decifrar bem, seria por pena ou tristeza? Ambas as opções pareciam bem
convincentes.
_ Acha que eles as torturam antes de as mandar para a morte?
A pergunta do garoto pegou Hazel de surpresa.
Se Sebastian pudesse ver a rosto dela nesse exato momento pediria
desculpas pela pergunta inapropriada, afinal, estavam falando de como seria seu
fim, mas ele não apareceu importar-se, ou talvez não tenha percebido.
_ Nunca imaginei como seria a minha morte.
Sebastian ficou em silêncio por um tempo. E foi um silêncio
constrangedor, daqueles que demora muito tempo para acabar embora tenha durado
pouco mais que um minuto e meio.
_ Desculpe.
Hazel não o respondeu. Em vez disso balançou a cabeça em sinal positivo,
mesmo estando ciente de que ele não poderia enxerga-la por conta da escuridão.
A
escuridão era tanta que Hazel quase não se lembrava como era sentir o Sol.
Quase não lembrava como era dormir olhando as estrelas. Quase não lembrava de
como andar na grama era tão bom. Mas mesmo que pudesse sair viva dessa, ela não
esqueceria nunca como é ficar em meio as sombras, sendo maltratada e passando
fome. Isso era impossível apagar da memoria embora fosse tudo o que ela mais
queria.
_
Fora um erro meu pai não querer que eu me casasse. _ Deu uma risadinha sem
graça e olhou na direção de Sebastian, mesmo que só pudesse ver a escuridão em
sua frente _ Mas eles também foram tolos em me deixar prisioneira junto a um
garoto. A maioria das prisioneiras o forçariam a fazer... Bem, aquilo com
elas... Só para se livrar da morte.
_
O que você quer dizer com isso?
_
Quero dizer que eles são burros.
_
Ah... Sim... Com certeza!
Hazel
riu da interpretação errada do menino, embora sim, tivesse algumas poucas
pitadas de segundas intenções naquela frase.
A
menina podia jurar que as bochechas do seu companheiro estavam tão vermelhas,
quanto o sangue grudado em sua camisa. Ela tinha esse dom de deixar os garotos
com vergonha, mas não fazia por mal... Na menor parte.
Então
ouviram mais gritos e Sebastian entrou naquele estado novamente. Hazel fez uma
tentativa falha de tapar os ouvidos para abafar o som, mas continuava ouvindo
nitidamente.
_
Não queria acabar como elas.
_
Você não precisa.
_
Eu não posso escolher.
_
Você tem uma faca!
_
E o que é uma faca perto de guardas protegidos pela armadura?
_
É a chance de lutar pela vida, Hazel.
Hazel
calou-se e se pegou pensando no que acabara de ouvir. Ele tinha razão. Ela
vinha subestimando-se a um bom tempo, teria Sebastian um poder sobre as
palavras? Ele era curto e tão bom com elas que Hazel quase acreditara que era
capaz. Quase.
_
Não tenho força o suficiente.
_
Eu estou aqui, não estou?
_
Esta dizendo que esta disposto a lutar por minha liberdade?
_
Estou disposto a lutar por nossa liberdade.
Após
um certo tempo sem nenhum dos dois se pronunciar, Hazel tomou a iniciativa:
_
Você é uma pessoa boa, Sebastian.
_
Acredite, não sou.
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