8.2.17

11

Hazel não parou, nem por um minuto sequer, de pensar em Sebastian. Quer dizer, onde ele estava? Estaria bem? Ela esperava que sim, porque não sabia se conseguiria viver a partir de qualquer ponto sem o mesmo. Que coisa estranha o amor, uh? Até algumas semanas Hazel só queria que tudo acabasse, e vivia temendo o mundo de uma forma até patética, se prendendo em uma jaula dentro de si mesma. E ai Sebastian entrou em sua vida, e era como se ele tivesse quebrado todos os obstáculos que á faziam sentir-se daquela maneira ruim, e ele ganhou um espaço em seu coração. Acidentalmente, se viram apaixonados um pelo outro.
Era engraçado para Hazel pensar nisso, porque ela não percebeu quando o sentimento crescia dentro do seu peito, apenas sentiu quando já estava borbulhando, e não acreditava que aquilo acontecera em tão pouco tempo.  Teria ela um pouco de sorte? Pois ela realmente esperava que sim, quem sabe usando-a ela conseguiria se libertar de vez dessa jaula? !
Enquanto andava para o jardim, esperando encontrar Henry, ela sorria sem mostrar os dentes sozinha, pensando em como seria sua vida quando saísse dali. Mas precisava se focar em algo real, antes de criar expectativas para um futuro que nem tinha certeza se realmente se concretizaria. Estava perdida, era essa a verdade.
Mas Sebastian se foi, só por um minuto, de sua mente quando encarou aquele homem em sua frente, ele parecia ainda mais bronzeado do que pela manhã, embora tivesse aquela mesma expressão estampada no seu rosto. Desta vez ele estava sem camisa, e Hazel o analisou por um momento antes de voltar a olhar para o seu rosto. Ele era definitivamente um homem muito bonito, embora irritante. E claro, Sebastian estava acima de tudo o que ele era.
Aproximou-se do mesmo em passos firmes, tentando passar segurança. Dá ultima vez que se encontraram a mesma se sentiu um tanto exposta, queria consertar aquilo, ou pelo menos tentar. Agora que ele já a tinha visto cruzou os braços e tinha um risinho bobo no rosto. E, caramba, como aquela expressão a lembrava de Sebastian. Mas, na verdade, ultimamente tudo a lembrava de Sebastian.
_ Amélia! Realmente achei que iria me dar um cano._Ele colocou as mãos na cintura, como fazemos quando estamos cansados._ Mas você veio!
_ Pensei em dar, mas ter alguma companhia mais forte que eu é bem favorável quando se olha as circunstâncias._ Ela falou enquanto o encarava de braços cruzados._ E eu me chamo Hazel, não Amélia.
Ele riu torto e vestiu a camisa, que estava em algum bolso de traz da sua calça. Hazel tentou não olhar para seus músculos, mas acabou olhando embora tivesse desviado o olhar rapidamente.
_ Você combina com Amélia, não já te disse? Agora vamos, temos uns guardas idiotas para enganar.
E sem esperar por respostas ele agarrou-lhe a mão e puxou-a rumo á algum lugar que até então ela desconhecia.
 ***
Por muito tempo Sebastian não falara nada com Juliana, embora vontade não lhe faltasse. Na verdade, ele só estava esperando uma oportunidade para enche-la de perguntas, e ela, provavelmente, se irritaria. Sebastian amava irritar as pessoas, embora essa sua circunstância não fosse nada favorável para tal ato.
Quando chegaram a o portão que dava a saída das prisões, para mais um corredor longo e escuro Juliana quem falou.
_ Vai chegar um ponto que você não vai mais conseguir me ver, e essa área do castelo é traiçoeira, e para você não se perder é bom conversamos e assim você se guia pela minha voz.
Essa era a deixa que Sebastian precisava para conversar. Mas a verdade era que não sabia o que perguntar, Juliana não tinha cara de quem dizia muito sobre si e de que adianta as perguntas se não tiverem respostas? Nada, certo?
Errado. Para Sebastian ter perguntas sem respostas só desencadeavam mais duvidas, e ele gostava de ter duvidas. Era um passatempo bastante legal criar uma vida para as pessoas que ele mal conhece.
Mas não perguntou nada. E de novo, quem falou foi Juliana.
_ Quando te achamos você estava em um dos corredores do castelo, certo?
_ Confirma.
_ Como você entrou?
_ Sorte.
Na verdade não fora sorte. Sebastian tentou descobrir jeitos de invadir  o castelo por muitos meses, e quando finalmente o encontrou – mesmo não tendo certeza se estava certo - não pensou duas vezes. Ele tinha entrado pelo poço, e Deus sabe como foi difícil chegar até o topo, sendo que ele desceu no Rio  Sadnuf e emergiu no poço do jardim. Ele poderia ter morrido a qualquer momento, levando em conta que ele não sabia exatamente onde ficava o lugar em que o poço ficava. Bom, talvez tenha sido pura sorte mesmo. E pensando nisso agora nem o próprio acreditava que tinha saído com vida e intacto. Aquilo era realmente o que chamamos de “ideia de girico”, sendo Sebastian o girico.
E embora quisesse dizer toda a sua “aventura” de quase-morte para a guarda ele não disse.
_ Você é louco, por acaso?
 E embora a pergunta pudesse ter um tom grave, Juliana perguntou como se estivesse servindo café.
Sebastian riu. Sim, ele realmente fora um louco em entrar no castelo, ele realmente fora um louco por procurar vinganças, e sim, ele, de fato, era um louco.
_ Tudo bem, já falamos muito sobre mim. Me fale sobre você, agora.
_ O que você quer saber sobre mim?
_ O que você quer me contar?
_ Pelos sete infernos, garoto! Já disse que conto o que quiser saber, não disse?
Aquilo, de certa forma, tinha surpreendido Sebastian. Ele esperava que ela não quisesse contar nada, na verdade, contava com isso, e ai ele começaria a insistir até que ela perdesse a paciência. Estava com saudades de fazer isso com alguém, depois que sua irmã morrera ele não tinha feito mais com ninguém.
E Juliana poderia ser um bom alvo.
_ Ahnnn... Você nasceu aqui em Kupzrryihm mesmo?
_ Não. Eu fugi de casa á três anos atrás, vivia em Ecaep e lá é tudo calmo, chato, e as pessoas são a favor da paz. Eu gosto de causar dor. Lá não era meu lugar.
_ E como seus pais reagiram a tudo isso?
_ Eu não tenho pais!_ Nesse momento tudo ficou escuro e Sebastian não tinha direção nenhuma, por isso parou._ Cadê você, garoto?
_ Aqui atrás.
_ Venha até aqui. Estou com o braço esticado.
_ Pronto.
_ Ok, não solte minha mão se não quiser se perder.
_ Pensei que seria guiado por sua voz.
Ela riu pelo nariz.
_ Você é um fracote, garoto.
_ O que? Eu sou muito forte!_ Sebastian fingiu um drama forçado, que quase fez Juliana gargalhar. O que era uma tarefa nada difícil._ Mas eu sei que isso é um pretexto para segurar a minha mão, todas tentam._ E desta vez ela gargalhou, por um ou dois minutos.
_ Você não faz meu tipo, garoto._ Disse simplesmente depois de ter se engasgado com a propria saliva enquanto ria. A voz saiu engraçada._ Gosto de homens, não de garotos, me entende?
_ Ei!
_ Só peguei na sua mão para ajudar._ Disse calmamente, a voz já normal._ Pule no três: 1,2,3._ E então pularam para uma outra parte do piso, mais escorregadia._ Muitas pessoas já morreram por cair nesse buraco.
_ Como você sabe que ele fica exatamente aqui?
_ Apenas sei.

E então conversaram por mais alguns minutos, quando ouviram passos vindo de longe. Pararam de andar. Juliana soltou a mão da dele, e o colocou atrás de si. Sebastian não gostou nada e quando foi avançar, ela o fez ficar no mesmo lugar. Então avistaram tochas mais a frente. Três. E tudo o que Sebastian pensou foi que estavam mortos. E talvez estivessem mesmo.

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