8.2.17

2

As portas se abriram e Hazel abraçou a pernas, se encolhendo, como sempre fazia. Esperava que o pior acontecesse pois  temia os viventes mais que qualquer coisa.
Sebastian continuava quieto, embora Hazel tivesse certeza de que o mesmo já havia acordado.
Hazel quase não acreditava na coragem do menino: Ninguém nunca tinha tratado os guardas daquela maneira! talvez pela maioria dos prisioneiros serem garotas, mas ainda assim quando eram os meninos a serem presos ainda permaneciam calados. Quando fora presa, Hazel não falara nada, nem mesmo lutou para ficar livre, por isso admirara o garoto por sua coragem, embora também o achasse louco.
Os guardas entraram e andaram em direção a Hazel, pelo menos fora o que a menina achou até que os mesmos levantaram Sebastian. Esse, por sua vez, soltou um gemido de dor, embora tentasse se manter forte na frente dos guardas.
Um dos guardas tirou parte da armadura que protegia e cobria seu rosto, revelando a face de uma linda mulher. Era morena, de cabelo curto e escuro, a boca era de um vermelho vivo, mas perdia toda a beleza com aquela postura que tomava.
_ Vamos lá garoto, faça um estrago no meu rosto! - Estendeu um chicote para Sebastian, que não se mexeu. - Vamos! O que esta esperando?
_ Julie, primeiro explique porque ele tem que fazê-lo.
Hazel olhou em direção a voz e avistou um homem apoiado na parede. Ele parecia ser o lider dos guardas. Hazel já ouvira historias a seu respeito, ele era um homem cruel.
_ Não me chame de Julie!
_ Julie, você ouviu o que eu a mandei  fazer? Posso repetir sem problema algum.
A mulher revirou os olhos e bufou, derrotada.
Era a primeira vez que Hazel presenciava uma cena como aquela. Normalmente eram os guardas quem davam as ordens, mas o que estava acontecendo no momento contradizia tudo: Os guardas eram aqueles que obedeciam.
_ Então, garoto... Eu bati no seu rosto com essa droga de chicote, e agora estou sendo penalizada. Que tal acabar com isso logo?
A voz dela soava cínica, como se aquilo não fosse nada de mais. Mas todos ali presentes estavam cientes de que a humilhação que Julie estava submetida a passar era grande.
Sebastian olhou para o chicote, que lhe parecia bastante tentador, então olhou para o rosto da mulher. Era uma mulher! Ele não faria isso, não era como seu pai.
_ Peça a outro.
A voz rouca de Sebastian saiu baixa, embora tenha falado com convicção.
Jullie, levantou uma das sobrancelhas como se não estivesse acreditando no que ouvira. Seus companheiros, Hazel podia jurar, fizeram o mesmo.
_ Eu acho que você não ouviu direito, garoto..-
_ Na verdade, eu ouvi sim. Só não quero faze-lo, então de novo, peça a outro.
O mesmo homem que se pronunciara antes  soltou um risinho alto o suficiente para trazer a atenção toda a si proprio. Chamou os guardas com a mão, e Sebastian pôde jurar, Jullie quase sorriu aliviada.
Quando os guardas sairam, Sebastian jogou-se no chão cansado. Hazel correu até seu encontro.
_ Porque não o fez?
_ Você o faria em meu lugar?
Perguntou cauteloso, enquanto estudava o rosto da menina.
_ Eu tenho meus motivos para querer faze-lo.  - Olhou Sebastian por um estante antes de desviar os olhos e pergunta-lhe novamente: - Porque não o fez?
_ Porque sou idiota de mais a ponto de não conseguir bater em uma mulher. - Ele foi sincero, mesmo desejando não ter sido - E porque não quero ser como eles.

_ Acredite, você é melhor!

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