8.2.17

9

Quando Hazel deixou Sebastian para trás sentiu um frio na barriga que não parava nunca.
Andou em um linha reta que parecia nunca acabar, embora não tenha levado mais que três minutos para chegar até o portão que dava entrada as malditas salas de prisões.
Hazel ia passar direto mas foi barrada por um guarda. Sua mente pensou que talvez ele a tenha descoberto e que a mataria, mas se acalmou quando aquela voz grossa soou autoritaria:
_ É bom não demorar tanto da próxima vez.
Hazel não evitou pensar em algo como “ Não haverá próxima vez”, mas ainda estava no papel de escrava. Então abaixou a cabeça de um jeito tímido e o respondeu em um fio de voz.
_ Eu sinto muito.
_Vamos, entre.
Os guardas tratam as escravas com menos desprezo com que tratam os prisioneiros. Hazel não sabia ao certo o porque disso tudo, mas não ficou pensando no assunto por muito tempo.
Em quanto seguia as outras escravas Hazel pensava em Sebastian e em como ele estaria agora. Ele teria achado uma outra saida? E qual plano ele tinha em mente? Ela ainda se arrependia em o ter deixado seguir sozinho.
A verdade era que Hazel não sabia nada sobre Sebastian. E o que sabia, todos do reino sabiam: Era um garoto estranho que não teve o casamento pois a noiva matou-se e perdeu a irmã para os dragões. Havia um boato que que Lucia não morrera pelos dragões, mas não passavam de boatos.
Quando passou por outro portão deu de cara com uma cozinha de peças muito caras. E a claridade quase lhe cegou, por esse motivo ficou um tempo parada, tempo o bastante para chamar a atenção de uma outra escrava.
Ela era menor que Hazel e tinha as bochechas manchadas por pintinhas laranjas, seus cabelos eram de um tom de vermelho do qual Hazel admirara e a pele era tão clara que lembrava a neve.
_ Estas com uma cara estranha. Aconteceu-te algo?
_ Ãhnnn... Não. Nada.
A menina riu abafado e a encarou.
_ Vamos, temos que deixar algumas espadas brilhando, como a vossa Rainha gosta.
A ruiva puxou a loura sem ao menos esperar por respostas, e Hazel voltou a prestar atenção no plano. Sebastian a tinha dito que a encontraria em frente ao castelo, para irem juntos rumo a liberdade. Mas será que ele já tinha conseguido chegar lá?
Hazel achava que sim.
Ou pelo menos torcia para que tivesse conseguido.
Então, depois de pegarem alguns materiais de limpeza foram para as escadas. E Hazel ficou encantada com o castelo. Ele era sombrio, como a toca de um vampiro, mas era definitivamente lindo e luxuoso. Ela poderia ficar admirando aquilo durante muito tempo, mas tinha uma fuga para fazer e estava bastante insegura quanto a isso, e deixava transparecer.
Quando chegaram as escadas o Sol mas uma vez fez Hazel fechar os olhos muitas vezes antes de se acostumar.
Hazel enfim via o Sol, e meu Deus! como aquela sensação era boa. Ela esperara por aquilo por tempo de mais. E quando uma brisa fria passou por si ela quase pulou de alegria, mas seu sorriso era grande o bastante.
A garota, que até então Hazel não sabia o nome a olhou estranho mas não disse nada.
_ Toma._ Ela disse entregando um balde para Hazel_ Tu deverás encher esse balde para mim. Podes me quebrar essa mãozinha?_ Hazel assentiu_ Ah, chamo-me Loren e venho de terras longinquas, meu antigo dono vendeu-me._ Hazel achou desnecessário tantas explicações, mas não falou ou fez nada_ Tu nunca esteve aqui antes, és uma das novatas estou certa?
Hazel sorriu de lado. Na verdade não era escrava, só estava se passando por uma. Mas não iria dizer a verdade para a ruivinha Loren, então simplesmente assentiu e seguiu rumo a um jardim que não sabia onde ficava. Quando se virou para perguntar a Loren a localização ela apontou para a direita sem nem esperar por uma pergunta. Hazel sorriu agradecida.
 O jardim era completo por rosas vermelhas e aquela rara flor das fadas, as aerodofitas: plantas que voam.
Deixe-me lhe explicar: As aerodofitas são chamadas pelas plantas que voam por conta do seu formato, que é idêntico as asas das fadas, mas de fato elas não voam. Porém são tão lindas que você pôde imagina-las batendo suas pétalas negras por todo o jardim.
 Hazel avistou um muro grande, quase impossível de se escalar. Mas eu disse quase.
Hazel tinha uma percepção muito boa e avistou uma escada no jardim, junto a uma árvore. Eram as escadas que os escravos usavam para aparar alguma árvore muito alta. Ela poderia usar a escada para subir até a árvore, e a árvore para chegar até o topo do muro. Seria esse o dia de sorte de Hazel? Então quando ia aproximar-se da escada, para examina-la ouviu uma voz masculina atrás de si.

_ Ei! Que vai fazer com isso?

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