8.2.17

8

Quando Hazel saiu Sebastian tomou outro rumo, tentando despistar os guardas. Pôde ouvir a voz de Hazel desculpando-se e mesmo com medo do porque continuou seguindo. Se tentasse alguma coisa seria bem pior.
   Apalpou o corredor com as mãos, em esperança de achar alguma saída por ali. Sem chance.  O corredor era grande e Sebastian não conhecia nada ali. E ainda tinha a culpa que o corroia por dentro, afinal, em troca de sua liberdade deixara outra pessoa presa. Que tipo de pessoa ele se tornara? Aquele que tanto desprezara?
   Andou todo o caminho destraido, até se dar conta que estava em outra ala das prisões. Estava perdido. Sebastian não tinha um senso de direção muito bom e também não conhecia o castelo. Xingou baixinho e quis ter escutado Hazel em quanto a tempo. Aquele plano era definitivamente o pior de todos.
   Quando ouviu passos procurou um lugar para se esconder. Tentativa falha, ele já sabia disso. E seu coração começou a bater mais forte a cada segundo, não tinha ideia do que seria, mas tinha certeza de que não era bom. Mas permaneceu quieto e por impulso prendeu a respiração, mas fora visto.
   E quando menos esperou estava caido no chão com alguém em cima de si. Tinha uma faca no pescoço, e os braços imobilizados. Aquilo de certa forma não o surpreenderia, assim como também tinha certeza que morreria ali mesmo.
   _ Quem é você?
   Era a voz daquela já conhecida guarda. Seu nome seria Jucy? Lucy? Ah não. Ele lembrara, ela se chamava Julie.
   Mas não a respondeu.  Manter-se calado poderia ser a pior resposta que ele teria, mas a preferiu mesmo assim. Não tinha nada a falar.
   _ Eu vou repetir novamente: Quem é você?
   Ela deu pausas longas em sua frase. Sebastian riu torto, ela o lembrava muito a imagem de sua falecida noiva. O gênio forte era o mesmo. E só por isso resolveu responder.
   _ Sebastian Grace. E você é Julie, a guarda.
   Ela furou seu pescoço com a faca. Sebastian gemeu. Fora um furo pequeno, daqueles que só de faz para causar dor, sem intenção de matar. Sebastian não sabia que ficava com medo ou aliviado.
   _ Como sabe quem sou eu?
   _ Não lembra de mim?
   _ Refresque minha memoria.
   Então Sebastian contou detalhadamente as duas vezes em que se encontraram. Usou ironia algumas vezes e em troca recebia mais cortes, mas não dava muita importância para isso.
   Mesmo depois que Sebastian contou para a mulher quem ele era e como o conhecia, ela ainda o manteve preso.
   _ E como conseguiu fugir?
   _ Eu tinha um plano.
   _ Tinha?
   _ É! Até você aparecer e estragar.
Julie riu fraco.
   _ Eu gosto de você, garoto. _ Disse e levantou-se. Sebastian não fez o mesmo, ele era ousado mas não era tão burro. Não iria levantar até que ela mandasse. _ Fique de pé.
   Então Sebastian levantou e ficou quieto. Julie o examinava de um jeito estranho, mas Sebastian não se sentiu exposto como sempre acontecia quando o olhavam. Talvez por não poder ver o rosto da mulher.
   _ Então, vai me prender de novo?
   _ Acha que eu devo te prender?
   _ É você quem joga as cartas, Julie.
   _ Juliana.
   _ É você quem joga as cartas, Juliana.
   Juliana estava certa de que prende-lo novamente era a coisa certa a se fazer, mas, mais do que tudo, odiava ficar em duvida com alguém e ela tinha uma divida com Sebastian. Estava na hora de pagar.
   _ Estou em divida com você e só por isso vou te mostrar a saída. A partir daí você se vira e se eu te ver novamente não penso duas vezes antes de te matar, estamos entendidos?
   _ Assim está ótimo.
   _ Certo, me siga. E lembre-se: Isso nunca aconteceu.
   Sebastian assentiu e seguiu a guarda. Ele não agradeceu mas ela sabia o quão grato ele era por tudo.

   Juliana era um anjo em sua vida. Um anjo mau. Mas ainda assim um anjo. 

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