Quando
Hazel saiu Sebastian tomou outro rumo, tentando despistar os guardas. Pôde
ouvir a voz de Hazel desculpando-se e mesmo com medo do porque continuou
seguindo. Se tentasse alguma coisa seria bem pior.
Apalpou o corredor com as mãos, em esperança
de achar alguma saída por ali. Sem chance.
O corredor era grande e Sebastian não conhecia nada ali. E ainda tinha a
culpa que o corroia por dentro, afinal, em troca de sua liberdade deixara outra
pessoa presa. Que tipo de pessoa ele se tornara? Aquele que tanto desprezara?
Andou todo o caminho destraido, até se dar
conta que estava em outra ala das prisões. Estava perdido. Sebastian não tinha
um senso de direção muito bom e também não conhecia o castelo. Xingou baixinho
e quis ter escutado Hazel em quanto a tempo. Aquele plano era definitivamente o
pior de todos.
Quando ouviu passos procurou um lugar para
se esconder. Tentativa falha, ele já sabia disso. E seu coração começou a bater
mais forte a cada segundo, não tinha ideia do que seria, mas tinha certeza de
que não era bom. Mas permaneceu quieto e por impulso prendeu a respiração, mas
fora visto.
E quando menos esperou estava caido no chão
com alguém em cima de si. Tinha uma faca no pescoço, e os braços imobilizados.
Aquilo de certa forma não o surpreenderia, assim como também tinha certeza que
morreria ali mesmo.
_ Quem é você?
Era a voz daquela já conhecida guarda. Seu
nome seria Jucy? Lucy? Ah não. Ele lembrara, ela se chamava Julie.
Mas não a respondeu. Manter-se calado poderia ser a pior resposta
que ele teria, mas a preferiu mesmo assim. Não tinha nada a falar.
_ Eu vou repetir novamente: Quem é você?
Ela deu pausas longas em sua frase.
Sebastian riu torto, ela o lembrava muito a imagem de sua falecida noiva. O
gênio forte era o mesmo. E só por isso resolveu responder.
_ Sebastian Grace. E você é Julie, a guarda.
Ela furou seu pescoço com a faca. Sebastian
gemeu. Fora um furo pequeno, daqueles que só de faz para causar dor, sem
intenção de matar. Sebastian não sabia que ficava com medo ou aliviado.
_ Como sabe quem sou eu?
_ Não lembra de mim?
_ Refresque minha memoria.
Então Sebastian contou detalhadamente as
duas vezes em que se encontraram. Usou ironia algumas vezes e em troca recebia
mais cortes, mas não dava muita importância para isso.
Mesmo depois que Sebastian contou para a
mulher quem ele era e como o conhecia, ela ainda o manteve preso.
_ E como conseguiu fugir?
_ Eu tinha um plano.
_ Tinha?
_ É! Até você aparecer e estragar.
Julie
riu fraco.
_ Eu gosto de você, garoto. _ Disse e levantou-se.
Sebastian não fez o mesmo, ele era ousado mas não era tão burro. Não iria
levantar até que ela mandasse. _ Fique de pé.
Então Sebastian levantou e ficou quieto.
Julie o examinava de um jeito estranho, mas Sebastian não se sentiu exposto como
sempre acontecia quando o olhavam. Talvez por não poder ver o rosto da mulher.
_ Então, vai me prender de novo?
_ Acha que eu devo te prender?
_ É você quem joga as cartas, Julie.
_ Juliana.
_ É você quem joga as cartas, Juliana.
Juliana estava certa de que prende-lo
novamente era a coisa certa a se fazer, mas, mais do que tudo, odiava ficar em
duvida com alguém e ela tinha uma divida com Sebastian. Estava na hora de
pagar.
_ Estou em divida com você e só por isso vou
te mostrar a saída. A partir daí você se vira e se eu te ver novamente não
penso duas vezes antes de te matar, estamos entendidos?
_ Assim está ótimo.
_ Certo, me siga. E lembre-se: Isso nunca
aconteceu.
Sebastian assentiu e seguiu a guarda. Ele
não agradeceu mas ela sabia o quão grato ele era por tudo.
Juliana era um anjo em sua vida. Um anjo
mau. Mas ainda assim um anjo.
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